Travessia dos Andes by Bike

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Por Daniel Brooke Peig (atualizado em 17/02/2012)

Visão geral do percurso
Percurso da Parte I - Paso Vergara
Percurso da Parte II - Plano A: Paso Carirriñe (Vermelho), Plano B: Paso Hua Hum (Vermelho + Lilás), Plano C: Paso Tromen (Vermelho + Amarelo), Plano D (realizado): Paso Hua Hum por Panguipulli (Verde)
Percurso da Parte II - Continuação


Nada melhor do que um passeio de bicicleta no parque para aliviar o estresse de uma semana de trabalho. Mais de sessenta semanas de trabalho exigem um passeio um pouco mais longo e um parque maior. Nessas férias o parque é a Cordilheira dos Andes e o passeio consiste de uma dupla travessia dessa cadeia em bicicletas.


"Dupla travessia" ou "Travessia em dupla", tanto faz, são dois ciclistas e a viagem é de ida e volta. A primeira parte consiste da rota do Paso Vergara, uma caminho de terra e pedras bem popular entre os cicloturistas. A segunda parte da viagem trata da pedalada desde o oceano pacífico até Bariloche, cruzando a cordilheira pela região dos lagos que conta com belos bosques e muita chuva. Este segundo roteiro, até onde sei, é original.


Como percurso passa por algumas áreas inóspitas a centenas de quilômetros de cidades ou povoados e não há veículo de apoio, cada uma das bicicletas carrega cerca de 23kg de bagagem incluindo: alimentos, água, ferramentas, material de camping, barraca, material de cozinha, roupas e kit de primeiros socorros. Este conjunto permite à dupla de ciclistas uma autonomia de 5 dias de viagem sem reabastecimento (exceto água) ou 350km em trilha ou 500km em asfalto. A navegação é realizada através de mapas rodoviários e topográficos com o auxílio de um GPS específico para trilhas.


Contents

Fotos


Roteiro e Estatísticas

Preliminar/Planejado


Realizado

Roteiro e estatísticas conforme realizado


Perfil Altimétrico - Parte I - Paso Vergara

Perfil altimétrico da Parte I - Paso Vergara

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Perfil Altimétrico - Parte II - Paso Hua Hum

Perfil altimétrica da Parte II - Paso Hua Hum

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Ruta 145 - Até o fim da Argentina
Camping Selvagem
Caminho do paso Vergara
Las Tapaderas
La Estrechura
A caminho de Termas del Azufre
Calotas de gelo permanentes
Termas del Azufre
Conquista do Paso Vergara
Paso Vergara: divisa de países e de águas
Descida rumo ao Chile
Oceano Pacífico
Vulcão Villa Rica
Salto de Huilo Huilo
Conquista do Paso Hua Hum
Parque Lanin - A caminho de San Martin de Los Andes
Lago Lacar
Lago Falkner
Lago Traful
Rio jusante do lago Espejo Chico coberto de cinzas do vulcão
A caminho de Bariloche

Distâncias cartográficas

Distâncias reais medidas através de mapas ou registro do GPS. Não incluem desvios ou voltas pelas cidades.

  • Parte I (realizado)- Malargue à Curicó através do Paso Vergara: 306km
  • Parte II - Plano A - Valdivia à Bariloche através do Paso Carirriñe: 463km
  • Parte II - Plano B - Valdivia à Bariloche através do Paso Hua Hum por Riñihue: 402km
  • Parte II - Plano C - Valdivia à Bariloche através do Paso Tromen: 645km
  • Parte II (realizado) - Plano D - Valdivia à Bariloche através do Paso Hua Hum passando por Panguipulli: 505km


Relatórios detalhados de altimetria e de distâncias


Download de Mapas, Pontos e Planilhas


Diário de viagem

Peço desculpas pela qualidade do texto e erros de português. Nao temos muito tempo para acessar a internet e os teclados são confusos aqui na Argentina e no Chile.


  • 20/1/2012 - Partimos de Guarulhos às 9h35, passamos por Santiago e chegamos à Mendoza às 17h00. Do aeroporto de Mendoza pegamos dois taxis (em um só nao cabiam as bicicletas) e corremos até a rodoviária. Infelizmente o ônibus que pensamos em pegar estava lotado assim como o de outra empresa, que também fazia a mesma linha. Conseguimos um micrôonibus muito apertado e chegamos em Malargue à 1h da manha seguinte. As bicicletas foram compactadas dentro do porta-malas que interditamos para nosso uso pessoal.


  • 21/1/2012 - Dia de montar as bicicletas. O resultado do frete internacional foi o quadro da minha bicicleta marcado e riscado, as rodas do Matheus completamente tortas assim como o quadro da bike dele. Passamos o dia realinhando as rodas e instalando os alforjes. Aproveitamos para fazer compras no supermercado. Malargue é uma cidade minúscula aonde ninguém aceita cartao de crédito, as lojas fecham das 13h às 18h e nessa época do ano conta com pelo menos uns 5 temporais por dia.


  • 22/1/2012 - 9h da manha. Tudo pronto para a partida? Não. O pneu do Matheus furou ainda no quarto do hotel. Substituímos a câmara seguimos rumo à Bardas Blancas, 63km ao sul. No caminho fomos ultrapassados por metade do grupo de brasileiros do Sampa Bikers que fazia o mesmo percurso, como eles nao tinham bagagem a diferença na velocidade era evidente. Ainda assim, ultrapassamos eles na descida e a partir daí nunca mais os vimos, sabiamos onde estavam por causa do carro de apoio, que ia na frente. Este dia foi marcado por uma subida íngreme dos 1400m aos 1900m seguida de uma descida com quase 20km de extensao. Dormimos nos fundos de um restaurante no meio da estrada e cozinhamos dentro do proprio quarto pois o dono queria cobrar o equivalente a 15 reais por um sanduiche de presunto.


  • 23/1/2012 - Bardas Blancas ao "Camping Selvagem", mais de 63km. Este foi um dia puxado, a estrada com alguns resquícios de asfalto virou areia. Nenhuma arvore ou sombra nos proximos 140km. O vento contra em altas velocidades exigia força nos pedais inclusive nas descidas. Felizmente, em Las Loicas encontramos um bar aberto que nos vendeu uma coca-cola de dois litros e dois sanduiches de presunto caseiro. O "camping selvagem" foi resultado de uma pedalada que se extendeu ate as 17h00. Demoramos mais de uma hora para conseguir escolher um local para a barraca, o vento era tao intenso que a mesma saia voando mesmo com as estacas no chão, tivemos sorte de encontrar umas moitas espinhudas mais densas. A agua estava em um rio que ficava no fim de um barranco de areia inclinado a uns 300m. Banho gelado no rio, comida quente de noite e um sono tranquilo.


  • 24/01/2012 - Pedalada infinita, cerca de 43km. O relevo dos Andes ficou mais acentuado, o percurso consistia de uma leve subida por 42km. Muita areia no caminho, principalmente nas dunas de Las Tapaderas que nos obrigaram a empurrar a bicicleta por alguns quilômetros. Nenhum traço de civilização. Água a cada 2km em rios que brotavam das rochas. Ao final do dia, decidimos não arriscar um camping selvagem pois a região não tinha arbustos densos para proteção do vento. Ao final da reta interminável, avistamos uma base do órgão de conservação de estradas (DPV), pedimos autorização para acampar lá e nos deixaram armar a barraca dentro de uma garagem, ao lado de uma Hylux. Lugar excelente, protegido do vento. O pessoal do DPV ainda nos regalou um prato de costelas de boi assadas e pães, um delicioso lanche da tarde. Apesar do vento, tomamos banho e lavamos todas as roupas no rio e depois preparamos nosso jantar composto de macarrão e linguíças de chorizo. Fomos dormir cedo, por volta das 21h.


  • 25/01/2012 - Mais um dia de pedalada intensa, cerca de 42km de subida contínua com menos areia no percurso. Iniciamos logo cedo com o objetivo de atingir as Termas del Azufre a 23km de distância e chegamos lá por volta das 13h30. As termas etavam fechadas. Aparentemente o governo argentino negou o alvará de funcionamento do estabelecimento. Outros turistas também foram surpreendidos, inclusive a equipe do Sampa Bikers que teve que rever seus planos de acampar no local. Para não perder a viagem pulamos a cerca e nadamos nas piscinas termais. Água a 35ºC em uma banheira encravada nas rochas, a cerca de 300m uma geleira em derretimento enchia os rios de barro. Ficamos dentro da água por mais de uma hora e depois tivemos que sair pois os planos do dia incluiam passar na Aduana Argentina que fecha as 17h. Pedalamos muito rápido até a Aduana. O oficial do exército carimbou os passaportes e indicou o paso Vergara com o melhor lugar para acampar nas proximidades. Seguimos por mais alguns quilõmetros de subida forte até o paso. O paso Vergara divide a Argentina e o Chile, trata-se de um vale pantanoso a 2500m de altitude. O marco da divisa fica em uma nascente de rios que correm em direção aos dois países, o Rio Valenzuela, para a a Argentina e o Rio Vergara, para o Chile, dependendo de onde você está o rio corre em um sentido diferente. Acampamos protegidos por uma parede de pedras montada por outros turistas. Recebemos a visita de um boiadeiro que aproveitava o gramado para alimentar a sua criação e jantamos um risoto aos 3 queijos com chorizos. Como ainda não havíamos dado entrada no Chile, estávamos burocraticamente fora de qualquer país.


  • 26/01/2012 - Enfim descida, e que descida. Acordamos com a temperatura interna na barraca inferior a -2ºC. O café da manhã e a lavagem das panelas demorou a sair por causa do frio. A grama estava congelada e o sol tardava em preencher o vale. O trajeto foi radical, descidas bem íngremes, abismos, pedras escorregadias e areia. Antes do almoço chegamos à Aduana Chilena em Termas de San Pedro. Os trâmites demoraram mais do que esperávamos, tivemos que passar a polìcia Federal e a inspeção sanintária. aparentemente o oficial Argentino deveria ter enviado um formulário de saída preenchido o que não ocorreu. Sem problemas, depois de alguns minutos o policial Chileno entregou um novo formulário. Mais descida e, ao final da montanha, depois de uma mina, o primeiro sinal de pavimento. Infelizmente o vento já estava forte e nós próximos 20km tivemos que pedalar, inclusive nas descidas íngremes. Chegamos a Los Queñes (720msnm) por volta das 15h, fomos almoçar uma pizza de carne na cidade e nos hospedamos na melhor pousada da cidade por 30.000 pesos Chilenos (R$ 107,00).


  • 27/01/2012 - Curicó (220msnm), 50,3km de pedalada. Este foi um dia tranquilo, só descidas em terra que depois se transformaram em asfalto e nos levaram até a cidade de Curicó. A cidade, um pouco maior do que o usual nos desorientou um pouco. Um grupo muito solicito de pintores que estavam indo almocar de bicicleta nos levou até a rodoviária para a compra das passagens. O único horário que conseguimos foram as 20h do dia seguinte. Enquanto eu procurava vagas em um albergue o Matheus foi abordado por uma senhora em uma loja de roupas que indicou uma conhecida que alugava quartos. Seguimos o contato e descobrimos que a pousada havia sido inaugurada a apenas 4 dias. A dona, Sra. Isabel, nos cobrou cerca de 10 mil pesos (cerca de 40 reais) pela noite com café da manha incluso. A Isabel foi muito gentil e acabou lavando as nossas roupas e servindo o jantar sem custos extras. Durante o almoco em uma lanchonete da cidade um grupo de criancas nos consultou sobre a letra de algumas musicas brasileiras que fazem parte da moda chilena.


  • 28/01/2012 - Curicó. Passamos o dia caminhando pela cidade, fizemos upload das fotos na intenet, arrumamos as malas e visitamos o parque da cidade, uma curiosa montanha no meio da planicie. As 20h, hora de embarcar no onibus, uma surpresa, nao havia espaco para as bicicletas no bagageiro. O onibus nos abandonou. Nao desistimos, antes de pedir reembolso insistimos ao vendedor para nos colocar em outro onibus, desta vez as bicicletas seriam completamente desmontadas. O balconista nao acreditou muito mas nos arranjou lugares no onibus das 22h30. Desmontamos completamente as bicicletas na loja da viacao despertando a curiosidade dos outros viajantes. Em 1h00 estava tudo pronto. O vendedor ligou para o motorista e confirmou que ainda havia espaco. No horario previsto partimos para a segunda parte da viagem: Valdivia.


  • 29/01/2012 - Valdivia (30msnm). Chegamos por volta das 8h da manha, chuva, chuva, chuva. Demoramos cerca de 1h30 para remontar todas as bicicletas. Felizmente estavam intactas. Tratamos de pedalar pela cidade em busca de hospedagem, por sorte encontramos o Hostel Totem, um dos que faziam parte de nossa pesquisa previa com vagas apos as 13h. Deixamos as bicicletas no albergue e fomos passear pela chuvosa cidade. Por coincidencia ou infelicidade de alguns, era o dia de uma corrida na cidade e os atletas tambem estavam umidos. Aproveitamos para fazer compras, ir ao cinema, almocar no Mc Donalds e jantar no shopping. A chuva nao cessou.


  • 30/01/2012 - Valdivia a Niebla e de volta a Valdivia em 42,5 km. Choveu o dia inteiro, coloquei na cabeca que deveriamos conhecer o Pacifico e me preparei para pedalar submerso, o Matheus estava um pouco desmotivado mas apostou no passeio. Por sorte, quando saimos, depois das 16h da tarde parou de chover e o sol nos acompanhou em parte da viagem. Niebla é a regiao das praias de Valdivia. Tiramos algumas fotos no povoado, descemos até a Praia Grande para tocar no mar e voltamos a Valdivia com um sol residual. A estrada, apesar de asfaltada estava muito movimentada, todos queriam ir a praia. No dia seguinte deveriamos partir, com sol ou com chuva.


  • 31/01/2012 - Los Lagos (35msnm), 52,5km e ascensao total de 395m no dia. Mais uma manha chuvosa em Valdivia, por sorte, logo antes do café parou de chover. A estrada, a principio de terra batida, passava por belos vales com fazendas e rios. Após alguns quilometros a estrada tornou-se um canteiro de obras com scrapers, rolos compressores, escavadeiras e caminhoes. Muita lama na parte úmida, muito pó na parte seca. Chegamos imundos à Los Lagos, uma cidade dormitório localizada às margens da Rota 5 que atravessa o Chile de ponta a ponta. Mesmo pequena, Los Lagos contava com um centro de informacoes turísticas e foi lá que encontramos uma hosteria para ficar e tomar um banho. O jantar foi em um resto-bar, comércio multi-funçao tipico das cidades Chilenas. Nesta noite decidimos mudar um pouco o trajeto da viagem, selecionamos o trajeto do plano B mas decidimos passar por Panguipulli ao invés de Riñihue. A mudança aumentaria o trajeto em aproximadamente 40km mas nos pouparia de estradas de lama em construçao.


  • 01/02/2012 - Panguipulli (156msnm), 77,3km de pedalada. Este foi um dia puxado, acordamos bem cedo e com muito frio. Como o café da manha da pousada estava um pouco caro (cerca de 1500 pesos), decidimos parar no supermercado e comprar mantimentos para nossa propria refeicao. A estrada estava ótima, com um bom asfalto em todo o percurso. No meio do caminho decidimos fazer um pequeno desvio de 12km para conhecer a foz do lago Riñihue, uma descida íngreme que nos levou a uma propriade particular cuja entrada estava impedida, uma decepcao. A cidade de Panguipulli é muito organizada e estruturada, fomos jantar no melhor restaurante da cidade, o hotel escola. Quando chegamos lá, provavelmente por causa das vestimentas, o garcon, ao invés de oferecer os pratos da carta, sugeriu sanduiches. De noite visitamos um festival de verao que ocorria na cidade com a danca tipica chilena, a Cueca.


  • 02/02/2012 - Puerto Fuy (611msnm), 76,9km, 1261m de ascensao total. Por causa do frio saímos tarde da cidade, os primeiros km de asfalto foram muito confortáveis. Planejamos almocar na cidade de Chozhuenco e assim o fizemos. Tinha até praia. Os 20km finais do dia estavam entre os mais cansativos da viagem, uma subida interminável e estrada de terra batida com muito pó, tráfego intenso de veículos que levantavam ainda mais o pó e nenhuma paisagem interessante. Quase chegando em Puerto Fuy uma bifurcaçao à direita levava às cascatas de Huilo Huilo. Decidi conhece-las. O Matheus, traumatizado com a decepcao da foz do rio no dia anterior ficou. Dessa vez tive sorte, as cascatas eram lindas com um centro de visitantes muito estruturado, restaurantes e muito bem preservadas. Continuamos pedalando no pó até chegar a Puerto Fuy, uma minúscula vila no topo dos andes. Em Puerto Fuy mais uma decepcao, aquele era um dos acampamentos base de um passeio na montanha para ricos chamado Cruce de Los Andes, esta é uma espécie de corrida de aventura com etapas de cerca de 30km diários. A vila estava entupida de competidores e suas respectivas equipes de apoio, todos as hospedagens caseiras estavam lotadas. Acabamos tendo que acampar em um quintal. Felizmente os competidores do Cruce foram dormir cedo e pudemos jantar com um grande desconto nas barracas da feira local.


  • 03/02/2012 - San Martin de Los Andes (700msnm). A segunda travessia dos Andes, pelo passo Hua Hum, foi concluída! O nosso dia comecou tarde pois o transbordador para a travessia do lago só saia as 13h00, ainda assim, acordamos cedo com o voo dos helicopteros do Cruce (nao sei para que helicoptero). Como conhecemos a vila de Puerto Fuy no dia anterior, enquanto buscávamos inutilmente um lugar para ficar, aproveitamos para tomar um café da manha reforcado e comprar com antecedencia os bilhetes para a balsa. Encontramos um enorme grupo de escoteiros (dois onibus) que ia acampar na Argentina, tiramos fotos, trocamos contatos e seguimos com eles a travessia de 1h30 através do lago. Comecamos a pedalada por volta das 15h00, apos 8km passamos pela Aduana e Imigracao Chilena, gracas a nossa sorte, chegamos antes dos escoteiros e nao tivemos que enfrentar qualquer fila. Alguns quilometros adiante, o marco da divisa entre os dois paises e, logo após, a aduana e imigracao Argentina. Enganou-se quem, como nós, achou que os passos representam o ponto mais alto da divisa entre os dois países na cordilheira dos Andes. O paso Hua Hum está a 660m de altitude vencidos gracas ao esforco do dia anterior. Após o Hua Hum, enfrentamos uma ingreme subida com mais de 10km de extensao, cerca de 2h de pedalada até a altitude de 1050m as 19h30. O piso irregular com pedras soltas dispersou grande parte da energia aplicada nas rodas. A regiao de parque nacional é muito bonita, cheia de bosques e completamente livre da ocupacao humana. Por volta das 21h30, apos 56km de pedalada, chegamos a San Martin de Los Andes, uma especie de cidade de esportes de luxo no pe da Cordilheira. Fomos ao centro de informacoes turisticas e conseguimos vagas em um Hostel. Infelizmente, quando nos preparavamos para jantar, comecou a chover. Tivemos que cozinhar linguicas e arroz no quarto. Quando a chuva parou fomos tomar um caro sorvete na cidade.


  • 04/02/2012 - San Martin de Los Andes. Dia de descanso. Só passeamos pela cidade, tiramos uma siesta durante a tarde e comemos.


  • 05/02/2012 - Lago Falkner (917 msnm), 54,2km. Mais uma supresa, rodeando os lagos através da Ruta de Los 7 Lagos batemos nosso recorde de ascensao, 1176m, cerca de duas vezes a altura da Serra do Mar em Sao Paulo. Por causa do frio fizemos a maior parte do percurso agasalhados. Paramos para almocar no Lago Hermoso, tivemos que nos esconder embaixo de uma moita para nos protegermos do vento mas conseguimos fritar linguicas e comer no pao com maionese de Malargue. No final do dia adentramos em uma área encoberta por uma estranha névoa que depois descobrimos se tratar das cinzas do vulcao Puyehue. Acampamos no lago Falkner que estava bem no meio nuvem de cinzas mas mesmo assim era lindo, jantamos a polenta e o molho de tomate que compramos em Malargue, esses itens e a maionese somavam mais de um quilo e viveram aventuras em dois pasos andinos.


  • 06/02/2012 - Villa La Angostura (810msnm), 66,7km. Mais um dia sem asfalto, a estrada antes bem pavimentada desapareceu e transformou-se em um monte de areia, cinzas e pedras. Máquinas pesadas trabalhando na pavimentacao, muitos veiculos circulando e tanto pó quanto na subida para Puerto Fuy. Felizmente os lagos no percurso eram lindos e serviram como ótimos cenários para a hidratacao. Almocamos ¨hamburguesas caseras¨ no lago Espejo Chico, custaram caro (cerca de 15 reais cada) mas estavam ótimas. No meio do percurso meu pneu traseiro (sempre o traseiro) furou com uma minúscula farpa de aco. Essa farpa esvaziou o pneu aos poucos e quando a roda passou pela primeira pedra, o aro cortou a camara, resultado: 4 furos. Feitos os reparos seguimos viagem até La Angostura, uma estacao de esqui chique e cara, muito cara. Ficamos em um Albergue e jantamos uma pizza pela cidade, como o trajeto do dia foi pesado e cansativo partimos direto para a cama.


  • 07/02/2012 - Bariloche, 84km. Dormimos em La Angostura com a janela do quarto e do banheiro abertas, erramos. A vila estava sob influencia das cinzas do vulcao e nossas roupas e equipamentos amanheceram cobertos de pó. Ao olhar a cidade pela janela o cenario era o mesmo de uma nevasca, os carros, as ruas e os telhados brancos. Iniciamos a pedalada as 11h, pode parecer tarde mas a temperatura nessa regiao só comeca a subir a partir do meio dia. Nossa meta era agressiva, a maior distancia que cobrimos em toda a viagem, 84km. A estrada estava asfaltada e o relevo tipico andino com subidas e descidas de dezenas de metros de altitude. Felizmente pedalamos rapido, muito rapido. Em duas horas haviamos coberto mais de 40km. Nao almocamos, paramos apenas para tirar fotos, tomar agua e comer bolachas recheadas. Chegamos em Bariloche após 4h06, o vento muito forte nos 15km finais reduziu a velocidade, ainda assim, fizemos uma media de 21km/h (cada bicicleta com mais de 20kg nos alforjes), a melhor de toda a viagem. Chegamos ao hotel, adiantamos a reserva, lavamos as bicicletas e fomos tomar banho. Concluímos os 836km da dupla travessia dos Andes com um dia de vantagem, pedalamos nos terrenos mais variados, acampamos nas condicoes mais extremas, passamos muito frio e muito calor mas valeu a pena.
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